segunda-feira, 22 de março de 2010

Meu estádio


Depois de quase um ano e meio voltei ao Parque Antarctica. Não porque não valia a pena (valeu por cerca de 6 meses do ano passado), mas sim por impossibilidade geográfica. Voltei ressabiado, na dúvida se o esforço seria compensado. Na dúvida se aquelas 3 vitórias seguidas, incluindo uma épica contra o Santos na Vila Belmiro, eram apenas obras do acaso ou se o Palmeiras realmente estava crescendo.
            Em meia hora sentado na arquibancada, vendo o estádio encher o que mais me animava era ver algumas mocinhas bonitinhas e nas outras horas era um bocejo só. Lógico que o jogo não tinha começado, mas o sono vinha da ideia de não esperar nada, nenhuma emoção, de não ver entrar pelo campo meus ídolos e sim jogadores comuns (alguns bons, que eu gosto, como o Pierre e o Cleiton Xavier – o Marcos também, mas ele é goleiro).
            Então me veio à lembrança alguns anos atrás, quando ir ao estádio era um momento de dar risada, de felicidade, de espetáculo (ou pelo menos um bom jogo). Era a hora de sentir as arquibancadas balançarem e sentir aquele friozinho na espinha quando isso acontecia. Hoje se a arquibancada tremer e cair, pensarei que é só mais uma sina do Palmeiras, mais uma tristeza na vida desse torcedor.
            Ir ao estádio no anos 90 era ver Evair, Mazinho, Rivaldo, Djalminha, Alex e claro Edmundo, que com suas idas e vindas abrilhantou o Palestra e agigantou o time que agora mais parece um nanotime. Era sentir os pelos arrepiando com a torcida gritando os nomes dos craques e saber que eles dariam tudo no jogo, saber que jogariam no mínimo, com vontade. Mais tarde pudemos ver um brilho de estrela de Vagner Love e Valdívia, grande craque chileno, nosso último ídolo.
            E me deparo com torcedores que dizem que o Palmeiras é muito maior do que os jogadores e que torcedor de verdade é aquele que vai ao estádio em bons e maus momentos. Sinceramente, eu não vou quando o time ta mal e isso não me faz menos torcedor daquele que vai sempre. Do mesmo modo que não vou ao cinema pra ver qualquer filme. Vou pra ver Al Pacino, Dustin Hoffman, Robert de Niro e no Palestra quero ver seus equivalentes, quero ver Alex, Valdívia e Kleber.
            Um time só se faz grande quando joga pra vencer e pra isso precisa ter elenco. Luz, câmera, ação! Começa mais um filme B, daqueles que ninguém se lembrará. Palmeiras entra em campo.

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